Foi o retomar da tradição, já que desde que esta Confraria começou a realizar os seus Capítulos, tinha interrompido estes passeios gastronómicos, tendo como destino o imenso Portugal.
A carrinha para esta deslocação foi gentilmente cedida pela Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, e pelas 9 horas da manhã iniciou-se a caminhada, partindo do largo da Igreja Paroquial.
Uma curta paragem foi feita numa área de serviços da auto-estrada, e ao ser retomada a caminhada, pareceu-me estar eminente um passatempo de carácter lúdico para amenizar o trajecto.
O microfone da carrinha não funcionava, mas mesmo assim ainda pude captar algumas anedotas contadas sem o auxílio desse aparelho.
O estacionamento da carrinha fez-se, depois, no parque junto à Praça de Touros de Santarém, e os confrades apeados, cada qual com o seu escapulário, dirigiram-se até à Taberna do Quinzena.
De taberna nada tinha a não ser a denominação, pois lá dentro, logo à entrada, eram vistas as mesas com grande número de comensais a saborearem as iguarias utilizadas em restauração e ali servidas.
Antes de me sentar à mesa que nos foi reservada, dirigi-me ao lavatório para lavar as mãos e tive o agrado de ver que nesta casa de restauração existe um artigo sanitário da Cerâmica de Valadares, à semelhança do que sucede noutras casas congéneres, o que dessa forma leva a vila de Valadares a ser conhecida em vários pontos do País.
Na mesa estavam colocadas as habituais “entradas”, bem como o pão, mas a ementa era-me totalmente desconhecida.
O primeiro prato a ser servido constou de bacalhau com cebolada, seguido depois de carne estufada com batatas fritas, arroz e salada.
Nestes almoços, dum modo geral, dou-me quase por satisfeito com as “entradas” e com o primeiro prato servido, mas desta vez repeti as doses. A quantidade e a qualidade do serviço assim determinaram.
Vou aqui abrir um parêntese para justificar a razão desta minha repetição.
Há dois casos que quero realçar. Um diz respeito com a actividade piscatória, que condeno em absoluto. È a captura da petinga em que a recente Lei das Pescas Lúdicas não contempla e que vai permitindo a delapidação de uma espécie da nossa fauna marítima.
Mas é um petisco que muito aprecio quando acompanhado de arroz com feijão encarnado!
O outro caso refere-se às lides tauromáquicas, de que não sou apologista, em face da crueldade praticada com os touros na arena. Porém, segundo me apercebi, a carne estufada resultou de touros abatidos depois dessas lides…
Como sobremesa, foram apresentadas as peras embriagadas, um doce envolvido numa calda açucarada e fatias do próprio Velhote, e antes da chegada do café foram colocadas na mesa, à disposição de todos, várias bebidas digestivas, nomeadamente licores de leite de coco e de café.
Neste encontro um caso insólito ocorreu, que provocou alguma galhofa, mas não me inteirei verdadeiramente do sucedido. Sei apenas que o colega Manuel Paredes buscava qualquer coisa colocada na sua retaguarda, mas o objecto tateado (!?) não foi o que lhe interessava.
Ao findar o almoço, foi com o cálice contendo licor de leite de coco que eu me associei no brinde realizado, depois de o Chanceler da Confraria ter dissertado sobre a história da Confraria do Velhote (que nada tem com pessoas de muita idade, mas sim com o doce tradicional da nossa freguesia) que tem levado o nome de Valadares, do concelho de Vila Nova de Gaia, a ser conhecido em vários pontos do nosso território continental e insular, e de o Grão Mestre Capitular ter proferido também algumas palavras a propósito deste encontro, ao mesmo tempo que era oferecida ao Senhor Fernando Baptista, sucessor em quarta geração da Taberna do Quinzena criada há cento e setenta e cinco anos, uma peça em porcelana a recordar a passagem ali da Confraria Gastronómica do Velhote, e ainda a oferta de algumas unidades de “Velhotes” para servirem de sobremesa a outros visitantes, dando-lhes a conhecer o tradicional doce de Valadares.
Feitas as despedidas, iniciou-se a viagem de regresso a Valadares, mas ainda houve tempo para uma rápida visita a um lugar da cidade de Santarém, nomeadamente às Portas do Sol.
Na carrinha, o tempo da viagem foi quase totalmente preenchido com assuntos de economia relatados pelo confrade Coutinho, extraídos principalmente da leitura de um artigo publicado num jornal respeitante a trabalhadores nossos emigrados no Luxemburgo, mas também sobre outros assuntos e sempre com a recomendação de se escutar, no dia seguinte, pelas 12.30 horas, o programa da RTP, antena 2.
A partir da Mealhada, o debate com uma extensão de vários quilómetros recaiu num diálogo sobre clubes desportivos, seus jogadores, seus treinadores e seus dirigentes, mas desconheço o resultado dessa disputa porque, entretanto, adormeci, só acordando ao chegar a Valadares.
Espero estar presente num acto idêntico de novo aniversário, com os mesmos e/ou outros mais confrades que igualem o companheirismo e a harmonia neste encontro havidos.
Termino este alongado texto com os meus cordiais cumprimentos a toda a comunidade confrádica.
Gil Neves
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